31 de mai de 2010

União: 30 de maio


Ontem visitamos a União,
comemoramos o dia das mães,
homenageamos os Pretos-Velhos
e cantamos parabéns pelo aniversário de nossa Mãe Ekedi Lúcia.
Foi um dia de alegria e muito Axé.
Saravá Umbanda.

Mãe Esmeralda



   



 
Vovó Catarina



30 de mai de 2010

HOJE : Festa na União

Irmãos,

Hoje Festa em homenagem aos Pretos-Velhos na União Espiritista de Umbanda do Brasil.

A sua sede está localizada na rua Conselheiro Agostinho, 52, no bairro de Todos os Santos,

 na cidade do Rio de Janeiro, próximo ao Norte Shopping.

Contamos com sua presença.

23 de mai de 2010

Um pouco de História

Livro: UMBANDA - A Proto-Síntese Cósmica (pág. 253)




       (...) devemos lembrar que os vários grupos ou nações africanas que aportaram aqui no Brasil, a priori, tinham sérias rivalidades. Fala-se em dois grandes grupos - os Sudaneses e os Bantos, os quais além de terem línguas diferentes (e dentro de cada grupo linguístico vários dialetos), tinham também culturas diferentes e, é claro, concepções místico-religiosas completamente antagônicas. O próprio grupo sudanês, que tinha seus integrantes tidos como os mais evoluídos, também possuía dentro de si mesmo profundas desavenças, que na própria África terminaram em luta fraticida. Os fons abominavam os ditos nagôs, tidos por eles como inferiores. O mesmo acontecia entre os Bantos, onde angolanos e conguenses também se defrontavam, embora de forma muito amenizada em relação aos povos Sudaneses. É bom não nos esquecermos de que os povos do grupo Banto tinham tido alguns contatos com os egípcios e com os povos da Mesopotâmia, tendo deles conservado alguma tradição. Digo alguma tradição, em virtude de, como já dissemos, os grandes patriarcas negros terem deixado a tradição somente de forma oral e, como tal, foi se apagando de geração em geração, até esquecerem quase completamente adulterada, de acordo com os níveis conscienciais das diversas gerações, que já estavam em completa decadência. Mesmo assim, foram os Bantos que de forma completamente anômala e descaracterizada tinham guardado o vocábulo Umbanda ou resquício do mesmo, na forma do radical Mbanda. Dissemos que os desencontros entre os negros africanos aconteceram aqui no Brasil no início de sua permanência, pois gradativamente foram se miscegenando e a própria necessidade de luta libertacionista ou manutenção da própria vida fez com que se unissem, pois se tinham suas desavenças, agora estavam num mesmo solo, cativos e humilhados e precisavam unir-se surgindo assim o primeiro sincretismo por dentro dos Cultos Afro-Brasileiros. Antes de prosseguirmos, queremos definir sincretismo como o fenômeno místico-religioso que visa tornar inteligível um culto que possa ser praticado por vários povos ou grupos étnicos, que até o momento tinham rituais e concepções diferentes. É um mal necessário, pois se formos analisar profundamente o sincretismo ou analogia de cultos ou partes de um culto, vamos ver que ele faz com que vários cultos se identifiquem em um só. Sem dúvida, embora de forma primitiva, é uma tentativa de síntese. Em análise etnocultural, é uma adaptação para os vários níveis conscienciais das humanas criaturas, como também uma forma de uni-las e elevá-las a outras adiante, o que acontece na Umbanda dita de vivência popular.
       Após falarmos sobre o primeiro sincretismo por dentro dos ditos Cultos Afro-Brasileiros, vejamos de forma didática as subdivisões desses cultos, entendendo que a Umbanda é uma metas a ser atinginda pelos demais cultos. Com isso, queremos afirmar que, conforme formos descendo em nossa subdivisão, há uma interpenetração da corrente ameríndia, mostrando a nítida influência da Umbanda ou da Raça Vermelha que no astral brasileiro tornou-se responsável pela elevação moral dessa coletividade, procurando de todas as formas e meios fazer ressurgir, em todos os ditos cultos, o Movimento Umbandista, que em análise oculta ou esotérica, tem por finalidade abarcar, numa primeira fase, os adeptos dos Cultos Afro-Brasileiros, sendo portanto o Movimento Umbandista um movimento saneador e reestruturador e o mesmo tempo direcionador dessa coletividade.

21 de mai de 2010

Festa na União - 30 de maio

Irmãos dia 30 de maio Festa em homenagem aos nossos Pretos-Velhos,  na União Espiritista de Umbanda do Brasil, onde nossa mãe é uma das diretoras de culto.



A União Espiritista de Umbanda do Brasil (UEUB) é a mais antiga federação umbandista do Brasil, chamada por isso de Casa-Máter da Umbanda, fundada a pedido do Caboclo das Sete Encruzilhadas, médium de Zélio Fernandino de Moraes.
Foi fundada em 1939, no contexto do Estado Novo, visando servir de interlocutora entre os diversos centros filiados, o Estado e a sociedade, a nível nacional.
Foi responsável pela organização do Primeiro Congresso Brasileiro de Umbanda, em 1941, que objetivou unificar as práticas rituais a partir de uma doutrina mínima.
A sua sede está localizada na rua Conselheiro Agostinho, 52, no bairro de Todos os Santos, na cidade do Rio de Janeiro, próximo ao Norte Shopping.
Abriga atualmente diversos terreiros e algumas festas anuais dedicadas à Umbanda.
O presidente é o sr. Pedro Miranda.

Vejam em: http://ueub.blogspot.com/2010/05/uniao-espiritista-de-umbanda-do-brasil.html

20 de mai de 2010

Oração aos Orixás

Deus salve o Grito do grande Rei Xangô, que expulsa de nosso meio médiuns mentirosos e charlatões!

Deus salve a Espada de Ogum, que corta de nossos caminhos os que alimentam o ódio e a inveja!

Deus salve a Flecha de Oxossi, que mata o pássaro da maldade e da traição!

Deus salve as Águas de Oxum, que lava nossos caminhos da mentira e da falsidade!

Deus salve os Ventos de Iansã, que expulsa os que alimentam pensamentos de promiscuidade e infidelidade!

Deus salve as Águas de Iemanjá, que lava nossos terreiros dos que alimentam a falta de amor e respeito ao próximo!

Deus salve as Chuvas de Nanã, que trazem o peso da responsabilidade, afastando os ociosos e oportunistas!

Deus salve o Cajado de Omulu, que expulsa as doenças do egoísmo e da desordem!

Deus salve Nosso Pai Oxalá, salvaguardando nossa Umbanda daqueles que ainda não conhecem o verdadeiro sentido da caridade!

DEUS SALVE A NOSSA UMBANDA! … e não desampare os que ainda se arrastam pelos caminhos da ignorância e da hipocrisia


Que a irreverência e o desprendimento de Exu me animem a não encarar as coisas de forma como elas parecem à primeira vista e sim que eu aprenda que tudo na vida, por pior que seja, terá sempre o seu lado bom e proveitoso!
Laro Yê Exu!

 
Que a tenacidade de Ogum me inspire a viver com determinação, sem que eu me intimide com pedras, espinhos e trevas. Sua espada e sua lança desobstruam meu caminho e seu escudo me defenda.
Ogun Yê meu Pai!

 
Que o labor de Oxossi me estimule a conquistar sucesso e fartura à custa de meu próprio esforço. Suas flechas caiam à minha frente, às minhas costas, à minha direita e à minha esquerda, cercando-me para que nenhum mal me atinja.
Okê Aro Ode!!!!

 
Que as folhas de Ossain forneçam o bálsamo revitalizante que restaure minhas energias, mantendo minha mente e meu corpo são.
Ewe Ossain!!!!

 
Que Oxum me dê serenidade para agir de forma consciente e equilibrada. Tal como suas águas doces – que seguem desbravadoras no curso de um rio, entrecortando pedras e se precipitando numa cachoeira, sem parar nem ter como voltar atrás, apenas seguindo para encontrar o mar – assim seja que eu possa lutar por um objetivo sem arrependimentos.
Ora Ye Yêo Oxum!!!!

 
Que os raios de Iansã alumiem meu caminho e o turbilhão de seus ventos levem para longe aqueles que de mim se aproximam com o intuito de se aproveitarem de minhas fraquezas.
Êpa Hey Oyá!!!!

 
Que as pedreiras de Xangô sejam a consolidação da Lei Divina em meu coração. Seu machado pese sobre minha cabeça agindo na consciência e sua balança me incuta o bom senso.
Caô Caô Cabecilê!!!!

 
Que as ondas de Iemanjá me descarreguem levando para as profundezas do mar sagrado as aflições do dia-a-dia dando-me a oportunidade de sepultar definitivamente aquilo que me causa dor e que seu seio materno me acolha e me console.
Odoyá Iemanjá!!!!

 
Que as cabaças de Obaluayê tragam não a cura de minhas mazelas corporais, como também ajudem meu espírito a se despojar das vicissitudes.
Atotô Obaluayê!!!!

 
Que a vitalidade dos Ibejis me estimule a enfrentar os dissabores como aprendizado; que eu não perca a pureza mesmo que, ao meu redor, a tentação me envolva. Que a inocência não signifique fraqueza, mas sim refinamento moral.
Onibeijada!!

 
Que o arco-íris de Oxumarê transporte para o infinito minhas orações, sonhos e anseios e que me traga as respostas divinas, de acordo com o meu merecimento.
Arrobobo Oxumarê!!!!

 
Que a paz de Oxalá renove minhas esperanças de que, depois de erros e acertos; tristezas e alegrias; derrotas e vitórias; chegarei ao meu objetivo mais nobre; aos pés de Zambi maior!
Êpa Babá Oxalá!!!!

15 de novembro de 1908

Fragmento do livro: "O Encanto dos Orixás" por Flávio Perri.

       No dia 15 de novembro de 1908, Zélio foi convidado a participar de uma sessão espírita que lhe ajudasse a superar males físicos de que sofria, sem esperança de cura. Transcrevo abaixo, em itálico, o relato por mim livremente adaptado dos episódios dessa noite:

       Tomado por força superior a sua vontade, Zélio manifestou-se em frases que não controlava:
       "Sinto falta da flor", enquanto depositava uma rosa no centro da mesa. Sob protestos dos médiuns tradicionais, restabelecida a corrente mediúnica, manifestaram-se espíritos que se diziam de pretos escravos e de índios, diante da incredulidade e recusa dos tradicionalistas.
       Zélio, ou Quem por ele se manifestava, questionou os motivos da não-aceitação da presença desses espíritos que se autoanunciavam, denunciando seu alegado 'atraso'  como forma preconceituosa, resultante apenas da diferença de cor e de classe social que revelavam.
        A entidade anunciou, então, o início de um culto novo, no qual espíritos de pretos escravos e de índios trariam sua mensagem e cumpririam sua missão espiritul no atendimento das gentes. Atribuiu-se o nome de Caboclo das Sete Encruzilhadas, para cuja ação não haveria caminhos fechados.
       Essa entidade fundadora retornou no dia seguinte, conforme anunciara, para solenemente declarar iniciado a novo culto em que (a) espíritos de velhos escravos, que não encontravm campo de atuação nas seitas de origem africana remanescentes (...).
       O Caboblo das Sete Encruzilhadas acentuou em sua fala inicial a destinação da nova religião, para falar aos humildes, simbolizando a igualdade entre todos os homens e mulheres para a prática da caridade, do amor fraterno, sob o Evangelho e tendo Jesus, como Mestre.

PERRI, Flávio Miragaia. O Encanto dos Orixás. Rio de Janeiro, Expressão e Cultura, 2002.
(páginas 26-27)

TAMBOR

O TAMBOR 
signo, símbolo, que nos encanta, canta, adoça nossos momentos de reflexão e fé.
Instrumento sim.
Só instrumento?
Não.
Carregado de nossa ancestralidade, é mais que um couro pregado a um toco.
O Tambor carrega, conta e faz história.

José Craveirinha nos enfeita o dia com seu belíssimo poema,

"QUERO SER TAMBOR"
(José Craveirinha)
Tambor está velho de gritar

ó velho Deus dos homens

deixa-me ser tambor

só tambor gritando na noite quente dos trópicos.

E nem a flor nascida no mato do desespero.

Nem rio correndo para o mar do desespero.

Nem zagaia temperada no lume vivo do desespero.

Nem mesmo poesia forjada na dor rubra do desespero.

Nem nada!

Só tambor velho de gritar na lua cheia da minha terra.

Só tambor de pele curtida ao sol da minha terra.

Só tambor cavado nos troncos duros da minha terra.

Eu!

Só tambor rebentando o silêncio amargo da Mafalala.

Só tambor velho de sangrar no batuque do meu povo.

Só tambor perdido na escuridão da noite perdida.

Ó velho Deus dos homens

eu quero ser tambor.

E nem rio

e nem flor

e nem zagaia por enquanto

e nem mesmo poesia.

Só tambor ecoando a canção da força e da vida

só tambor noite e dia

dia e noite tambor

até à consumação da grande festa do batuque!

Oh, velho Deus dos homens

deixa-me ser tambor

só tambor!


2 de mai de 2010

FESTA DE PRETO-VELHO

Festa em comemoração aos Pretos-Velhos:
Dia 15 de maio a partir das 17h.

"Num cantinho de um terreiro, sentado num banquinho, pitando o seu cachimbo, um triste preto-velho chorava

De seus olhos molhados, lágrimas desciam-lhe pelas faces e, não sei porque, contei-as… Foram sete!
Na incontida vontade de saber,aproximei-me e o interroguei…
- Fala meu preto velho, diz ao teu filho porque externas assim uma tão visível dor?
E ele, suavemente respondeu…
- Estás vendo esta multidão que entra e sai? As lágrimas contadas são distribuídas a cada uma delas.

A primeira, eu dei a estes indiferentes que aqui vem em busca de distração, para saírem ironizando aquilo que suas ofuscadas mentes não podem conceber…

A segunda, a esses eternos duvidosos que acreditam, desacreditando, na expectativa de um milagre que os façam alcançar aquilo que os seus próprios merecimentos negam…

A terceira, distribuí aos maus, aqueles que somente procuram a Umbanda em busca de vingança, desejando sempre prejudicar um semelhante…

A quarta, aos frios e calculistas, que sabem que existe uma força espiritual e procuram beneficiar-se dele de qualquer forma e não conhecem a palavra gratidão…

A quinta, chega suave, tem o riso e o elogio da flor nos lábios, mas se olharem bem o seu semblante, verão escrito “Creio na Umbanda, nos seus caboclos e no seu Zambi, mas somente se vencerem o meu caso, ou me curarem disso ou daquilo”…

A sexta, eu dei aos fúteis, que vão de terreiro em terreiro, não acreditando em nada, buscam aconchegos e conchavos, porém seus olhos revelam um interesse diferente…

A sétima filho, notas como foi grande e como deslizou pesada, foi a última lágrima, aquela que vive nos olhos de todos os orixás; fiz doação dessa aos médiuns, vaidosos, que só aparecem no terreiro em dias de festa e faltam as doutrinas. Esquecem que existem tantos irmãos precisando de caridade e tantas criancinhas precisando de amparo material e espiritual…

E assim, filho meu, foi para esses todos, que viste uma a uma, as sete lágrimas desse preto velho!
(http://umbandadochico.wordpress.com/2009/01/29/sete-lagrimas-de-um-preto-velho/).